Aqui começa a nossa viagem a Kifulo, estavamos já a meio do caminho e paramos para comer alguma coisa. Alem de nós e o amigo Jeronimo o pessoal que ia era da Televisão Nacional que convidamos para fazer a reportagem a este evento, até eu fui entrevistada... uma Portuguesa ali no meio era dificil escapar :)
Este clima nada tem a ver com a cidade, sempre húmido e desta vez com muito nevoeiro. Por isso a vegetação é cerrada e bastante verde.
Mal chegamos á Aldeia já estava a musica bem alta e o pessoal todo a dançar, as crianças rodearam os nossos carros em jeito de bem vindos. Lembramos dos meninos de outra aldeia perto (aquela em que tinham os matraquilhos de cartão do meu 1º email) e que tinhamos planeado lá passar e oferecer uma bola de futebol, mas devido á hora não conseguimos, mas a bola sempre teve uma finalidade.
Apesar de não haver recolha de lixo na Aldeia, as casas e as ruas estão muito limpas. Eles fazem o seu proprio terreiro para o lixo. Como andava lá a RTN, e eu andava sempre a tirar fotos, pensavam que era jornalista, e ficavam sempre felizes por lhes tirar fotos.
Estas senhoras já preparavam o almoço da Aldeia, estavam a limpar as tripas do cabrito, para fazer um prato tipico. Depois de falar com elas, elas disseram que era muito bom e que tinha de provar mais tarde... eu sorri e disse que sim, mas a mim nunca me vão apanhar a comer aquilo... só se for a minha mãe a fazer.. e não sei...
O meu Daniel ainda é meu amigo e pega na maquina para tirar umas fotos porque senão, mais tarde na historia ninguem diria que eu lá estive :)
Estava prestes a iniciar a cerimónia, os sobas das outras aldeias juntavam-se, e nós aproveitavamos para admirar as suas vestimentas, apesar de muitos deles usarem coisas modernas como casacos e gravatas.. . a ANADEMBOS uma associação da zona tende a recuperar na integra essas tradições.
Nem mesmo a presença colonial conseguiu apagar a figura do soba, embora tenha enfraquecido o seu papel e protogonimo junto das comunidades. E a autoridade deles pesa principalmente sobre os aspectos morais da conduta, mas podem inclusive aplicar punições, dirimir conflitos, etc. Em alguns lugares são chamados de reis. Eles conhecem todos da aldeia e não há folgas para a sua responsabilidade.
Hoje com todo o peso do simbolismo, participam ativamente da reconstrução do país, aderindo em peso às campanhas cívicas, como a do alistamento eleitoral, e de caráter social, como o combate à SIDA , etc.
O Monteiro vai dando algumas explicações aos miudos que estão bem atentos
Nesta altura os sobas juntam-se todos e caminham dando passos de danças para a sitio onde os esperam o novo soba. As pessoas vão tambem cantando e cantando ao ritmo deles
O chapéu armados (já não me recordo do nome tradicional) são de extrema importancia, quando a posição é superior o chapéu também. Conheci mais tarde, o principe, que descendente directo do reino do Congo, que o chapeu dele era muito maior e explicou isso mesmo.
São símbolos de Angola. De seu passado, de sua história e sua cultura.
Era cada vez mais dificil ver com facilidade os passos dos sobas, mas o Daniel não perdeu nada :)
Estavam prontos para dançar para o novo soba que estava sentado na frente deles. Esta é a 1º cerimonia tradicional depois da guerra o que tem grande importancia para todo este povo. Os sobas tomavam posse mas de uma forma muito discreta.
Fotos não mostra nada do momento vivido, tudo o que isso envolve... os movimentos mais lentos ou mais rapidos, a musica, o cheiro... enfim tudo. Mas vou ter a cópia da filmagem, assim vai dar para recordar e explicar melhor a quem vê.
O Rafa estava bem posicionado...
Neste momento o Rafael e o Daniel já reclamavam... tinham fome. Mas tinham de ir para o carro, com tanta criança á volta com fome, seria uma crueldade estar a fazer pirraça a elas, não daria para partilhar com todas... mas isto explicado eles entenderam muito bem.
O povo á volta do acontecimento
Os meus filhos com o amigo Jeronimo estavam ali perto dos sobas (sentados) e ouviam as explicações que iam sendo dadas á D.Paula, a jornalista da TPA.
Não poderiam estar melhor situados.... mas os meus filhos já pensavam para eles mesmo:“Mas nunca param de chegar novos sobas?! Quantos sobas existem afinal?”
Gostei deste momento... eles apresentam a 1ª mulher (com cara de má), e depois a 2ª mulher, e explicam que 2 outras não compareceram, e toda a aldeia cochichava sobre esta ofensa ao grande soba. Quanto mais mulheres ele tiver, mas bem considerado é...a final quem consegue gerir tanta familia, consegue gerir a aldeia. Fiquei a perceber a cara de má da primeira mulher :)
Vejam que até este soba já olhava o relogio. Ele já está a planear para a proxima cerimonia colocar 6 sobas a dançar ao mesmo tempo em vez de 3... sempre é mais rápido :)
A Aldeia está de costas viradas, porque o que importa está do outro lado pois.
O Monteiro andava com o telefone á procura de rede..
Os meus meninos á beira de uma casa tipica.
Ao fundo dá para ver o verde cerrado, o Daniel chama sempre as partes verdes de selva, porque muitas vezes é o que parece.
Tudo começou com 4 adultos a falar, e o Daniel doido pelo jogo do galo puxa o pai, e ali junto a nós no chão vão jogando. Os miudos vão se juntando pouco a pouco, e quando dou por isso está feito uma roda á volta deles.
Este jogo não é conhecido em Angola, e os miudos e adultos tambem estavam muito curiosos
O Monteiro diz-lhes o nome do jogo e como se joga, e pergunta:"Quem quer jogar com o Daniel?", todos se acanham, mas esta menina destimida diz logo que vai ela.
Sabem o que aqui se passa? Não, não è a cerimonia, essa tinha terminado. Já vos vou explicar...
Assim começam a jogar, o que perde dá lugar a outro. O primeiro que ganhou o Daniel fez uma fez :)
Mas estava a ver que eles os dois não saiam do meio da roda... e o Rafael no carro a comer, só se apercebeu mais tarde...
T-shirt de um habitante desta aldeia, não pude evitar de lhe pedir uma foto
O Almoço estava quase a ser servido, e eu fui até ás cozinheiras, e ali estavam elas a bater o junge, não sei como aquela panela não virava com as 3 a bater daquela maneira.
Ficaram todas felizes que eu estava a tirar fotos, e batiam com mais força ainda, como se na foto se visse o grande esforço delas. O fumo era tanto que estava com dificuldade para respirar.
Estas senhoras que estavam mesmo ao lado, começaram a reclamar que tambem queria ser fotografadas, porque afinal elas é que cozinharam, eu aproveitei para pedir a uma das senhoras para me tirar a foto no meio delas.
Mas devia ser a 1ª vez que ela tocava numa maquina, que estava a ser complicado, e as outras senhoras davam palpites como segurar e qual era o botão, mas tive de lá ir várias vezes... mesmo assim :), e o fumo não ajudava.
Esta senhora do meio foi quem tirou as fotos e as outra as ajudantes. Na camisola a foto do novo soba... tecnologias que antes não existam.
Aqui foi o grande momento desta viagem, o Monteiro cansado de jogar ao galo, e com os miudos todos da aldeia á volta dele, foi lembrado da bola que estava dentro do carro que podia ficar aqui com este meninos. O Monteiro de imediato foi para um campo de futebol ali perto, e começou por dividir os miudos em 4 equipas (eram muitos...)
Durante o jogo o Rafael estava a ser observado, e diziam:"O Português está cansado", e estava mesmo, não aguenta o ritmo dos outros miudos, tb porque estava de botas... O grande momento da festa foi quando o Monteiro oferece a bola aos meninos da aldeia... não há luxo no mundo que possa dar-nos os sentimentos que temos nestes momentos.
Interessante, que as crianças sempre atentas ás instruções do Monteiro, e quando foi dito "ACÇÂO" eles estavam mais que preparados. Reparem que a maioria deles estão descalços, mas isso não os atrapalha.
Este era o banco das equipas a seguir, e dos suplentes. Uma equipa tirava a camisola para se identificar, quando foi o momento do Daniel, ele despiu e arrancou, deviam ver o estado dele ao fim do dia, estava completamente coberto de terra.
Os futuros jogadores de Angola a darem os seus primeiros passos, e mesmo descalços iam impressionar o nosso Benfica ou o nosso Sporting... podem crer.